POR QUE OS JOVENS NÃO QUEREM SEGUIR A CARREIRA DO MAGISTÉRIO
08 nov 2010 Deixe um comentário
em Educação
Segundo apontam pesquisas, a carreira do magistério é uma das menos procuradas pelos jovens. O que não é novidade. Contando com um dos mais baixos salários e contrárias condições de trabalho, a profissão ainda exige que se trabalhe muito para que se possa sobreviver mais dignamente.
Considerando que os dois primeiros apontamentos representam as primeiras variáveis quando se pensa em uma profissão, mas que nem sempre são decisivas na escolha de um candidato, e considerando ainda que trabalhar menos ou mais não serve como desempate na maioria dos casos, o que estaria realmente definindo a decisão?
Certamente o grande peso quando se pensa em ser professor, arrisco-me a afirmar, não são os baixos salários, não são as condições de trabalho, nem mesmo a jornada dupla da maioria dos casos. Mas, com certeza, somando-se aos pontos destacados, o grande desafio representa, por contradição, a dificuldade de se ensinar nos dias atuais.
Entendendo que somente por meio da educação de nossas crianças e jovens podemos falar em justiça e cidadania, exercer a profissão de professor está tornando-se cada vez mais difícil por conta dos desafios de se trabalhar com crianças, jovens e adolescentes em grupos tão diversificados e ao mesmo tempo tão homogêneos. Diversificados, considerando as particularidades de cada ser. Homogêneos, por conta da própria geração participante de uma sociedade globalizada. Somando-se a isso as legislações que regem todo o universo educacional, em vários aspectos precisando de reformas urgentes.
Enquanto várias profissões acompanham seu tempo, acomodando-se e aproveitando-se das transformações da modernidade, o magistério, por mais que se utilize de benefícios da tecnologia disponível, não pode e não consegue ignorar que o seu grande embate é justamente acreditar e lutar por uma sociedade mais justa e organizada, a qual só pode ser trabalhada e fortalecida por meio da educação formal que, por sua vez, tem de ser desenvolvida em contextos tão contraditórios. É uma grande responsabilidade.
Assumir o magistério é assumir compromisso com vidas, muitas delas já desacreditadas de si mesmas. É ver possibilidades de mudanças e transformações em mentes cristalizadas pela corrupção do mundo. Assumir o magistério é vislumbrar o sucesso em crianças, jovens e adolescentes que não dispõem de condições sociais, emocionais e até mesmo físicas como pré-condições para tal. Essa realidade tem um peso, uma carga emocional muito forte.
Sob essas condições atua o professor. Se não conseguir vislumbrar em seus alunos futuros homens e mulheres vencedores, apesar das circunstâncias, certamente sentir-se á cada vez menos estimulado a optar ou a continuar na profissão. Pois a decepção e o sentimento de derrota diante das adversidades podem consumir suas forças, seus sonhos, seus ideais.
“Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos”
(Romanos 4. 8-9)
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