A ESCOLA AINDA É MUITO AUTORITÁRIA

 

Apesar das aparências e circunstâncias, temos ainda uma escola onde predomina o autoritarismo.

 Lembrando que autoritarismo e autoridade divergem entre si, e que o primeiro é conseguido à custa de imposição, ao passo que o segundo é conquistado, é construído, torna-se fácil identificar nossa falha na relação líder/liderado. Será por isso que temos tantos problemas de indisciplina?

Parece mais fácil ordenar, impor, falar com aspereza, parecer “bravo”, tudo para impressionar e manter a ordem momentânea, do que falar com calma, sem alterar a voz, sendo ético, educado, firme. A verdade é que, por uma série de fatores internos ao ambiente escolar, mas muito mais devido à própria cultura presente em nossa formação, atuamos com autoritarismo nas nossas relações formais com o aluno, convictos de que assim deve ser. Crescemos nesse contexto, moldados por uma sociedade que valoriza o poder como forma de liderança. Fomos educados no entorno familiar, escolar e social, aprendendo que poder é sinônimo de autoridade.

A escola tem sido questionada nesse aspecto.  Diversas correntes da pedagogia criticam o problema do autoritarismo presente tanto na avaliação quanto na metodologia de ensino. Referem-se a formas de avaliação cuja função é mensurar, descrever, julgar; à relação professor ensina, aluno aprende, com papéis e funções pré-estabelecidos de hierarquia e poder. Esses são exemplos claros de como a escola tem sido autoritária ao longo de sua existência.

A escola vem se propondo a mudar parâmetros de avaliação e processos metodológicos de ensino, mas não tem conseguido romper com atitudes de autoritarismo na esfera das relações interpessoais. Para desenvolver a autoridade é preciso perder o senso de autoritarismo tão presente nas relações de poder. Talvez por não conseguir lidar bem com essa questão, esbarra em tanta contradição ao desenvolver um trabalho pedagógico mais voltado para o democrático, participativo, em que o aluno é agente no processo ensino e aprendizagem.

É um grande desafio para a escola administrar coerentemente os papéis e funções de cada um sem apelar para formas de poder e manipulação. É algo que precisa ser aprendido. Nunca fez parte de nossa cultura. No entanto, as novas gerações já não se submetem sem resistência e rebeldia a tais formas de relacionamentos. É uma nova cultura, que clama pelas relações de liderança baseadas na autoridade, não mais no poder.

“NÃO POR FORÇA, NEM POR PODER, MAS PELO MEU ESPÍRITO”

(Zacarias 4.6)

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